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  • Gleisson Alisson Pereira de Brito

Exercício e Câncer - Parte III


Exercício no tratamento do câncer


Estudos com sobreviventes do câncer demonstraram que indivíduos engajados em atividades recreacionais equivalentes a 2 a 3 vezes por semana de caminhada vigorosa após diagnóstico, tem um menor risco de recorrência da doença e de todas as causas de mortalidade quando comparadas a indivíduos inativos.



Recomendações para a prescrição de

atividade física


Adotar um estilo de vida fisicamente ativo é a recomendação geral para fins de prevenção do câncer. De fato, existem muitas questões não respondidas sobre qual a intensidade, duração e freqüência ótimas de atividade física necessárias para reduzir o risco da doença, contudo, a evidência atual sugere que há uma redução significativa neste risco para alguns tipos de câncer simplesmente por não ser sedentário.


A sociedade americana do câncer preconiza que adultos devem engajar-se em pelo menos 30 minutos ou mais de atividade física moderada, cinco ou mais vezes por semana para obter os benefícios preventivos proporcionados pelo exercício, e que atividade moderada a intensa por 45 ou mais minutos, em cinco ou mais dias por semana, pode reduzir ainda mais o risco de câncer de mama e de cólon, bem como diversos outros tipos de câncer, incluindo renal, endometrial e esofágico.


Existe pouca evidência se a atividade física é mais protetora quando praticada em uma única sessão, ou fracionada ao longo do dia. Contudo, parece razoável assumirmos que os benefícios podem ser acumulados com sessões separadas de 20 a 30 minutos cada, de atividades tanto ocupacionais, recreacionais quanto com exercícios programados. Os efeitos da atividade física na prevenção do câncer e de outras doenças crônicas provavelmente acumulam-se ao longo da vida, sendo facilitadas pelo estabelecimento de padrões de estilo de vida mais ativos desde a infância. Assim, a ACS preconiza que crianças e adolescentes devem praticar 60 minutos diários de atividade física moderada a vigorosa pelo menos cinco dias por semana já como fator auxiliar na prevenção futura de câncer .


Pirâmide da Atividade Física - Adaptado por Biologia da Saúde.


Uma das grandes problemáticas no uso do exercício como terapia adjuvante contra câncer é o transporte das intensidades, freqüência e duração dos diferentes tipos de exercício testados em estudos usando animais para direta aplicação em humanos. Poucas informações existem sobre as recomendações para a prescrição de exercício com o objetivo de auxílio do tratamento de diferentes tipos de câncer tão pouco sobre a relação dose-resposta a diferentes tipos e cargas de treinamento nesta população. Dentro desta ótica, os profissionais que trabalham com esta parcela da população necessitando de atenção especial geralmente utilizam exercícios de intensidade baixa a moderada com controle cauteloso da adequação da atividade conforme as limitações decorrentes de cada sintoma ou co-morbidade ligada a particularidade do câncer no indivíduo em questão. De fato, a habilidade para a prática do exercício está modificada no paciente com câncer, especialmente durante períodos de tratamento, e pode variar em função do tipo de câncer, tipo de tratamento, idade do portador e presença de co-morbidades. Esta situação geralmente caracteriza a necessidade da formulação de planejamentos de atividade física personalizada e altamente controlada, o que em termos populacionais ainda confere limitações para a aplicação dessa intervenção no número crescente de casos de indivíduos com câncer. Contudo, a falta de informações consolidadas não deve ser colocada como justificativa ao não uso do exercício como terapia adjuvante para o câncer. Assim como para indivíduos saudáveis, podem existir contra indicações para prática de alguns tipos de atividade física conforme o quadro do paciente em diferentes estágios do tratamento, no entanto, mais uma vez é adequado citar que isso não significa que estes indivíduos, mesmo com limitações, não possam se favorecer de um programa de exercício bem controlado e supervisionado.


Nos últimos anos se mostrou bastante evidente existir uma ótima relação dose resposta entre o aumento da prática de atividade física por indivíduos com câncer e variáveis de qualidade de vida, saúde e capacidade funcional. A tabela apresenta modificações nesses parâmetros encontradas em indivíduos com vários tipos câncer após iniciar programas de treinamentos envolvendo diferentes modalidades de exercício.


Resumo das mudanças em pacientes com câncer induzidas por exercício relatado por Galvão e Newton após revisão de 26 artigos científicos


Alguns autores recomendam o uso de protocolos de exercício com várias sessões diárias, com intensidade leve a moderada, enquanto sessões contínuas de exercício em intensidades mais elevadas devem ser evitadas. Outros têm utilizado modelos de treinamento intervalado para pacientes em preparação para cirurgia de câncer durante quimioterapia ou imediatamente após transplante de medula óssea como uma alternativa. Contudo, apanhados recentes, de vários estudos envolvendo diferentes protocolos de exercício em pacientes com tipos distintos de câncer, colocam que já é possível propor faixas de intensidade e freqüência mais específicas para diferentes tipos de atividades para indivíduos com câncer, visando auxiliar os profissionais da área nos direcionamentos das condutas de prescrição. O Colégio Americano de Medicina Esportiva propôs recentemente considerações específicas para prescrição de exercício para indivíduos durante e pós-tratamento de câncer, estas considerações estão resumidas na tabela a seguir:


Tabela – Considerações sobre prescrição de exercício para pacientes com câncer e sobreviventes de câncer. Adaptado de ACSM


Após o tratamento, a recomendação de continuidade na prática de atividade física é de grande importância, estando relacionada com melhora na qualidade de vida bem como na prevenção de reincidências.


CONCLUSÕES


A literatura corrente fornece evidências convincentes de que a atividade física pode prevenir o surgimento de diversos tipos de câncer, e também demonstra que, além de seguro e praticável, o exercício crônico melhorara o bem estar físico e a qualidade de vida, sendo importante fator adjuvante no tratamento do portador de câncer. A cura de indivíduos portadores de câncer, bem como sua sobrevida e qualidade de vida esta na dependência de uma interação complexa de diversos fatores. Assim, os efeitos de um programa de exercício durante a terapia do cancer devem ser balanceados com os riscos potenciais de se manter inativo, o que também acarreta riscos de curto e longo prazo a saúde, como redução na capacidade cardiorespiratória, redução na massa ossea, atrofia muscular, alterações no metabolismo da glicose, na sensibilidade a insulina, função digestiva e função imune. Levando-se ainda em consideração a crescente população de sobreviventes do cancer, existe a necessidade de se estabelecer a medida na qual a atividade física é apropriada durante e após o tratamento.


De fato, encorajar pacientes a manterem níveis balanceados de atividade física, com períodos eficientes de recuparação, é mais apropriado que a recomendação clássica de grande volume de repouso.


Tenha uma alimentação saudável e pratique atividade física.







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